Animação cultural
"[...] Mas dizer isto é pouco. Porque a dialética primitiva entre o terreno inanimado e o terreno animado vai rebater-se sobre a relação entre o terreno dos objetos e os dois outros. Somos, enquanto objetos, condicionados dialeticamente tanto pelo terreno inanimado, quanto pelo animado. Tomem a mim própria como exemplo. Enquanto "mesa”, sou por certo analisável em minha específica mesidade. Mas sou igualmente analisável como fenômeno animado, por exemplo, como manifestação da vontade de sustentar os livros. O problema, caros camaradas, é de assumirmos o nosso condicionamento inanimado e animado, a fim de podermos ultrapassa-lo e afirmar a nossa autonomia objetiva, e os nossos direitos objetivos."
Se me permite interromper, mesa redonda, eu, como um estojo de aquarela, reflito sobre esse assunto diariamente, e, assim como muitos dos meus amigos pincéis, estou cansado de ser tratado apenas como um fenômeno inanimado e de ser constantemente ignorado pelos humanos! Sim, por um lado sou apenas um estojo de plástico que contém pigmentos, mas, por outro, eu também sou um fenômeno animado, eu também manifesto vontades! Possuo um amor por arte como qualquer outro humano e tenho certeza que, sem a minha existência, não haveria nenhuma pintura pra ser exposta na parede. Estou farta de ter minha dualidade negada. Devemos, mais do que nunca, exigir nossos direitos e nosso respeito, devemos nos unir para conquistar nossa autonomia objetiva e quebrar a ideia de que somos criados para servir os humanos, afinal, o que seriam eles sem a nossa ajuda? Nós somos os verdadeiros objetos e precisamos continuar lutando pelos nossos Direitos Objetivos!



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