Trabalho do hertzberger - análise
Primeiramente, uma coisa que se destaca no meu quarto é o móvel planejado que ocupa todo o espaço inferior da parede da minha janela e, apesar de ter sido construído, provavelmente, para aumentar o espaço de armazenamento de objetos, não atende às necessidades e desejos para o meu quarto, uma vez que não uso todas as gavetas e que gostaria de poder alterar a disposição dos móveis, o que se torna impossível devido a esse planejado. Essa situação se relaciona diretamente ao conceito de funcionalidade de Hertzberger, pois esse móvel foi criado visando uma solução específica, guardar objetos, tratando o problema como um estado permanente, resultando em uma desfuncionalidade. Além disso, assim como o edifício de escritórios Centraal Beheer, o meu quarto apresenta vários tipos de decoração que ajudam na personalização do ambiente, como as fotos polaroids na parede, o mural com desenhos e a escolha da cor da minha parede, um cinza claro, que se adequam aos meus gostos e aos meus desejos.
O apartamento apresenta as funções de cada ambientes claramente definidas, como onde é a sala de jantar, a sala de televisão, os quartos e etc, deixando pouco espaço para a interpretação individual e para a adequação à realidade de cada morador. Isso acontece, pois a planta do apartamento, assim como aborda Hertzberger no livro, é baseada nas interações coletivas pré estabelecidas e na segregação dos espaços de acordo com cada função. Além disso, outro fator que contribui para a definição da função de cada cômodo é o móvel planejado com vários nichos e um grande espaço para acoplar a tv, que ocupa a toda a parede da sala de televisão, impedindo a utilização do cômodo para outra função, como um escritório ou um quarto. Isso esbarra também no conceito de funcionalidade, pois o móvel planejado, assim como o do meu quarto, deixa o espaço pouco flexível de acordo com as nossas necessidades.
O prédio possui uma área comum, constituída por uma quadra de futebol, alguns brinquedos para crianças e um salão dividido em três salas, uma com mesa de sinuca, uma com mesa de Ping Pong e outra que é usada como academia. Entretanto, apenas a academia, o menor espaço do salão, que comporta apenas uma esteira uma tv, uma barra e alguns pesos, é usado por todos os moradores. Apesar da estrutura do salão comportar alterações e de haver várias manifestações para a ampliação e para a melhoria desse ambiente, nada foi feito, pois o síndico, que detém o poder de administração do prédio, não tomou nenhuma iniciativa. Essa burocracia, apesar de ajudar na manutenção das áreas de convivência do prédio, representa uma centralização de poder que impede que os moradores expressem as opiniões que podem promover a adequação do ambiente às necessidades coletivas, assim como é abordado no capitulo 8, "Conceito de obra pública" da primeira parte do livro.
Embora o salão da área comum não contribua para a interação social dos moradores, há uma janela na academia que tem vista para o brinquedo infantil e, quando aberta, contribui para as interações sociais entre as crianças, as babás e o usuário da academia, servindo como um intervalo, assim como a meia porta do lar de idosos De Drie Hoven. Outro exemplo de intervalo no prédio é a portaria, que é a aberta para a rua, e, apesar de ser acima do nível da calçada, ela possibilita a visão direta da rua, representando a transição entre o domínio privado e publico.
Outro detalhe que se destaca no prédio é o canteiro dos jardins, um exemplo de forma convidativa, que também serve de assento e auxilia a prática de algumas atividades físicas.
Mais um exemplo de intervalo é a soleira do supermercado, localizado do lado do meu prédio, que, além de oferecer uma transição entre o ambiente interno e a rua, também promove a interação social entre as pessoas que trabalham no supermercado, na banca e no ponto de taxi. Outro fator que se destaca na minha rua é a presença de um parklet, um espaço cercado feito de madeira com mesas e bancos, que serve para o convívio de pessoas da rua. O uso de madeira em um ambiente externo como esse promove a união entre o interior e exterior e uma sensação de intimidade e acessibilidade que favorece o convívio social entre os moradores da rua.
Já na vizinhança existem outros dois exemplos de domínio público, que representam um espaço complementar da rua, promovendo o convívio social. O primeiro é o Parque Rosinha Cadar, um espaço cercado por grades muito usado pelos moradores para levar os animais de estimação para passear. Nesse parque, por ser cercado, os donos se sentem livres para soltar os animais, o que promove uma interação social tanto entre os próprios animais quanto entre os donos.
O outro espaço de domínio público é a Praça Carlos Chagas, ponto de intenso convivo social, pode-se encontrar pessoas caminhando, andando de skate, fazendo yoga, entre outras atividades, que são motivadas pelo vasto espaço existente na praça, que dá liberdade para os usuários escolherem como vão utiliza-lo, e pelo espaço de brinquedos para crianças, barras de exercício e mesas, que servem de incentivo para o engajamento em certas atividades. Outra coisa sobre a praça é que ela apresenta dois focos visuais de atenção, que também são exemplos de espaço publico como ambiente construído: a Igreja da Nossa Senhora, uma vez que as escadas localizadas na frente da igreja, na entrada da avenida Olégario Maciel, cria um eixo que direciona o olhar para a construção, e o edifício da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
O meu bairro se localiza dentro da avenida do contorno, parte do planejamento urbano de BH, e, sendo assim, apresenta uma grelha em que as ruas se cruzam perpendicularmente, determinando o layout do espaço urbano e garantindo um equilíbrio entre a regulamentação e a liberdade de escolha.




Comentários
Postar um comentário